PEC do corte de gastos: entenda como ela pode impactar a economia
O governo federal apresentou ao Congresso uma PEC com medidas de ajuste fiscal que prometem gerar uma economia de R$ 327 bilhões até 2030.

Mas o que é a PEC dos Gastos?
A PEC do corte de gastos é como um “plano para economizar dinheiro” que o governo está tentando fazer. Imagine que a casa do Brasil está gastando mais dinheiro do que consegue ganhar. Quando isso acontece, a gente acaba ficando cheio de dívidas, e isso não é bom porque sobra menos dinheiro para coisas importantes, como escolas, hospitais e estradas.
O que a PEC faz?
Ela propõe algumas mudanças para o Brasil gastar menos e usar o dinheiro de um jeito mais inteligente. Por exemplo:
- Aumentar quem não precisa pagar imposto: Pessoas que ganham pouco não vão precisar pagar um dinheiro extra para o governo.
- Rever salários e benefícios: Quem ganha muito ou recebe mais do que deveria vai ter que se ajustar para que tudo seja mais justo.
- Cuidar melhor dos benefícios sociais: Evitar fraudes para que só quem realmente precisa receba ajuda.
Por que isso é necessário?
Se o governo não economizar, ele pode ficar sem dinheiro para coisas importantes ou precisar pegar dinheiro emprestado, e isso é como usar um cartão de crédito: os juros (dinheiro extra que temos que pagar) ficam cada vez maiores, e a dívida só cresce. Com a PEC, o governo quer organizar melhor as contas, como uma família que faz um orçamento para não gastar mais do que ganha.
Quando as contas estão equilibradas:
- Mais empregos podem ser criados;
- Os preços das coisas podem parar de subir tão rápido (menos inflação);
- O país pode investir mais em coisas que ajudam todo mundo.
É como se o Brasil estivesse arrumando sua “mesada” para que o futuro fique mais seguro e com mais oportunidades para todos.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do corte de gastos é uma peça central na estratégia de ajuste fiscal do governo. Enviada ao Congresso, essa iniciativa busca equilibrar as contas públicas, com impacto direto em programas sociais, impostos e aposentadorias. Entre as medidas destacam-se mudanças no abono salarial, novas faixas de isenção do Imposto de Renda e ajustes na previdência dos militares.
A seguir, detalhamos cada aspecto dessa proposta, seus objetivos e possíveis consequências para a sociedade e a economia.
Isenção do Imposto de Renda: Quem ganha até R$ 5 mil ficará livre
O aumento da faixa de isenção promete aliviar a carga tributária para uma parcela significativa da população.
Hoje, a isenção do IR é aplicada a quem ganha até R$ 2.824,00 (dois salários mínimos). Com a PEC, a proposta é elevar essa faixa para R$ 5 mil a partir de 2026. Segundo o governo, essa mudança busca tornar o sistema tributário mais progressivo.
- Impacto econômico: A medida será compensada pelo aumento de impostos sobre os “super-ricos”, mas o mercado financeiro reagiu negativamente, com o dólar subindo para R$ 5,91 e a Bolsa caindo 1,73%.
- Para o cidadão comum: Quem está na faixa de R$ 3 mil a R$ 5 mil terá mais poder de compra, o que pode estimular o consumo.
- Possíveis desafios: Há receios de que a arrecadação insuficiente prejudique investimentos públicos essenciais.
Abono Salarial: Uma medida controversa
A redução na faixa de quem pode receber o abono salarial é um dos pontos polêmicos da PEC.
Atualmente, o abono salarial é destinado a quem ganha até R$ 2.824,00. A proposta reduz essa faixa para R$ 2.640,00, com ajustes pela inflação previstos até que corresponda a um salário mínimo e meio.
- Objetivo: Reduzir os gastos públicos, estimados em bilhões de reais anuais, mantendo o benefício para os trabalhadores de menor renda.
- Críticas: Sindicatos argumentam que a medida prejudica famílias vulneráveis, enquanto especialistas defendem que é um ajuste necessário para evitar o colapso fiscal.
- Comparativo global: Modelos semelhantes são aplicados em países da OCDE, mas com critérios mais restritivos.
Estudos recentes, como o divulgado pelo IPEA, reforçam a necessidade de reformas, mas sugerem cautela na implementação.
Previdência dos Militares: Ajustes ainda em negociação
Mudanças propostas incluem idade mínima e contribuições para o fundo de saúde.
Embora não tenha sido enviada com a PEC, a reforma da previdência dos militares está na agenda do governo. As propostas incluem:
- Estabelecer idade mínima para aposentadoria;
- Fim de pensões em casos de expulsão ou exclusão das Forças Armadas;
- Contribuições adicionais de 3,5% dos salários para o Fundo de Saúde até 2026.
O impacto esperado é uma redução de 1% nos gastos com aposentadorias. Porém, a resistência política e corporativa pode atrasar a aprovação. Segundo o G1, esse item será crucial para garantir o equilíbrio das contas públicas a longo prazo.
Supersalários: Limite para agentes públicos
A PEC visa implementar o teto constitucional de R$ 44.008,52 de forma ampla e eficaz.
Hoje, muitos servidores conseguem ganhos acima do teto devido a benefícios extras. A PEC propõe que todos os rendimentos sejam considerados para evitar distorções.
- Impacto imediato: Economia significativa para os cofres públicos, com melhor controle de gastos.
- Desafios jurídicos: Haverá resistência de corporações e possíveis ações judiciais questionando a constitucionalidade.
- Exemplo prático: Em estados como São Paulo, medidas semelhantes reduziram a folha de pagamento em mais de 10%.
Fontes como o Estadão detalham os desafios e a importância dessa medida para a justiça fiscal.
Benefícios sociais e combate a fraudes
Medidas prometem maior rigor no controle do BPC e Bolsa Família.
O governo pretende reestruturar mecanismos de controle, que foram enfraquecidos nos últimos anos, para garantir que os benefícios cheguem a quem realmente precisa.
- Fraudes identificadas: Em 2023, auditorias revelaram irregularidades em 15% dos pagamentos do Bolsa Família.
- Novas ferramentas: Cruzamento de dados e inteligência artificial serão utilizados para fiscalizar o cadastro.
- Impacto social: Se bem implementadas, as medidas podem aumentar a eficiência e gerar economia sem prejudicar beneficiários legítimos.
De acordo com o Portal da Transparência, essa estratégia já apresenta resultados positivos em estados-piloto.
Um passo ousado, mas necessário
A PEC do corte de gastos representa um marco na tentativa do governo de estabilizar a economia. Contudo, suas implicações práticas dependerão da aprovação no Congresso e da receptividade popular.
O equilíbrio entre responsabilidade fiscal e justiça social é um desafio constante. Medidas como o aumento da isenção do IR e o combate aos supersalários são passos na direção certa, mas sua eficácia será limitada sem uma implementação eficiente e transparente.